sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

ESTRELA: Nossa eterna musa Luciana Vendramini, linda e provocante como sempre!

Ela pirou a cabeça de muito adolescente nos anos 80 quando ainda uma ninfeta posou nua para a capa da Playboy vestida de soldadinho. Suas fotos, e essa capa, marcou uma geração e rendeu uma fama instantânea na época ao ponto de deixa-la espantada e ainda mais tímida. Para quem não viveu isso, estamos falando da bela Luciana Vendramini. Um real musa de uma época em que não existia facebook, instagram ou youtube. As musas eram poucas e quando surgiam faziam história. Rosto angelical, cabelos longos e louros, olhos claro e corpo perfeito. Precisava mais?! Ela arrebatou corações e isso resultou em inúmeras capas de revistas, cadernos, propaganda, novelas... e tudo que nem ela imaginaria conseguir. Em seguida veio o casamento com o roqueiro Paulo Ricardo, novela na Globo... até que o destino lhe pregou uma peça e ela se viu presa pela síndrome do Transtorno Obsessivo Compulsivo, o TOC. Foi um período difícil que hoje Luciana vê como seu maior desafio superado. Vencedora, hoje Luciana ainda guarda os encantos que a revelou para o mundo. De voz doce e suave, continua no imaginário masculino com uma das grandes musas de uma geração. Ela seguiu sua trajetória colhendo sucessos e se mantendo firme e forte. Hoje, cheia de planos, com série, livro e outros projetos a serem lançados, ela resgatou um pouco sua veia de modelo e posou para as lentes do renomado fotógrafo Angelo Pastorello. O ensaio, todo em p&b, traz uma inspiração nas divas de Fellini e no estilo Helmut Newton em trazer uma dramaticidade e uma provocação entre luzes e sombras. E lá estava Luciana Vendramini, linda como sempre, provocante como nunca. 

Luciana você marcou uma geração nas capas de revistas no final dos anos 80 e 90. Como hoje você enxerga essa fase? Tudo aconteceu muito rápido, mesmo numa época que não existiam mídias online, internet, nada dessas ferramentas, que hoje tem até demais. Aquela época tinha muita descoberta e novidade, a gente tinha que buscar o que queria, ir atrás mesmo do sonho, literalmente "bater na porta", era tudo mais difícil com certeza. Não havia estratégias de marketing, assessoria, stylist, nada disso, acredito que havia mais originalidade do artista, até o público era especial... (risos), hoje vejo que a maioria gosta e aceita quase tudo que aparece nas mídias sociais. 



Nessa época veio a histórica Playboy e você se tornou símbolo sexual por um bom tempo. Tinha noção de que aquelas fotos iriam repercutir tanto? Jamais imaginei aquela repercussão, quando aceitei fazer as fotos, fiz num ato de rebeldia minha, não havia nada que me proibisse de fazer. Eu já estava morando no Rio de Janeiro, amava o estilo das cariocas, mas ainda era muito nova e bem caipira até...(risos), ia à praia com minhas amigas do colégio de maiô, e elas com biquínis. Quando veio o convite da revista, achei que eu era moderna, mulherão... (risos), e quando saiu a revista veio à tona a minha essência realmente daquela menina do interior, virgem, tímida, sem a menor gingado das cariocas. Foi um choque. Eu não podia sair na rua que todo mundo me parava, e a timidez também não ajudou em nada. No fundo eu nunca pude imaginar aquela repercussão, e confesso que até hoje me surpreende quando alguém vem falar daquele ensaio, que marcou a vida daquelas pessoas, na fase mais importante da vida, que é a adolescência. 

Anos depois, em 2003, você voltou a estampar a capa da Playboy e os fãs mais uma vez foram ao delírio. Era uma Luciana bem mais madura mais igualmente bela. Como foi a experiência em outra época e contexto? Mais uma vez eu me testando, quis fazer aquele ensaio por que realmente já me achava madura o suficiente pra lidar com esse tema, e quando saiu a revista, novamente eu alí mega tímida de novo, mas claro minha cabeça e experiência de vida, me fez ver com outros olhos, com mais maturidade claro. 

Depois do turbilhão de coisas de se tornar um sex symbol você soube dominar mais isso? Dominar sua sensualidade e sexualidade? O fato de darem sempre esse título quando falavam de mim não interferiu em nada no meu jeito de ser, nem com minha sensualidade e sexualidade acho até que me deixou mais tímida. Eu nunca vou saber o que um homem espera de uma mulher, que foi atribuído esses títulos. Mas sendo direta com sua pergunta, eu nunca pensei em dominar nada, e acho que nenhuma mulher deveria fazer isso. Acho lindo uma mulher feminina, que sabe ser sensual também, isso faz parte da beleza e graciosidade da mulher. 


Acredita que quando a mulher percebe seu poder de sedução ela conquista o homem, conquista seu espaço? No final é a mulher quem domina tudo? Com certeza quando uma mulher conhece seu corpo e fica à vontade com ele, isso nos deixa sem dúvida mais forte e segura, acho que a mulher domina melhor que o homem numa situação à dois. Temos mais jeitinho, somos românticas, não que os homens não sejam, mas seduzimos melhor...(risos).

Novela Vamp, casamento com Paulo Ricardo e Síndrome do Pânico/toc , O que ficou de cada uma dessas experiências? Ficou que eu vivi pra caramba...(risos)! Meu Deus sinto que vivi mil anos. A novela “Vamp” foi meu debut na TV, eu sonhava em virar vampira, coisa que não aconteceu, e foi uma novela marcante também na época. Acho que foi a primeira novela pra adolescentes com esse tema tão lúdico. O casamento foi importante para o meu amadurecimento. Eu tinha 18 anos quando conheci o Paulo, digo que deu muito certo, foram quase 9 anos juntos, mas acho que fui muito precoce com algumas coisas na vida e não estava tão preparada assim. 

O Toc foi a descida ao inferno, o contato com meu lado obscuro, desconhecido, aquele que nunca sabemos que existia em nós. Estilhaçou minha vida por 5 anos. Tive de aprender a aceitar o tratamento, pois como quase nunca tomava remédio, quando me indicaram fiquei apavorada, pois achava que o remédio fosse me deixar dopada, por isso eu resisti muito ao tratamento, até chegar num estágio que eu não conseguia nem mais comer. Tomei o remédio e fiz terapia junto, os dois foram primordiais no meu tratamento. E a grande experiência desça queda, foi a volta, por que a gente fica com uma fortaleza enorme, com autoconhecimento maior ainda, e com isso, magicamente a vida se tornou mais leve. Hoje posso ajudar muitas pessoas, dou palestras em hospitais, faculdades, e encontros, nela falo da minha experiência e também tudo que aprendi, explico como é importante preparar a família de quem está com esse problema, que em muitos casos, passa a ser os primeiros a serem cuidados, antes mesmo do que o próprio doente. Com o lançamento do meu livro sobre Toc, que será esse ano, falo para as famílias e para os doentes, tudo que vivi e aprendi estará lá. Meu objetivo com ele é unicamente ajudar, pois quando fiquei doente, não havia nenhum livro que eu pudesse ler pra me ajudar a entender o que estava se passando. 

Você foi a garota certa na época certa. Hoje em dia com as redes sociais e musas a cada novo dia a coisa perdeu um pouco a inocência e o “charme”. Acredita nisso? Acredito nisso sim. Eu chego a ficar confusa com tanta gente se lançando e não sei o que elas fazem. Faz parte da chegada da tecnologia e da liberdade de cada um escolher o que quiser, sem ser imposto o que devemos ou não assistir e ver. Esse movimento é muito importante para o crescimento e futuramente acredito que seremos mais seletivos. Mas também não precisamos aceitar tudo e querer tudo. Meu Deus, parece até que não temos opinião, tudo que aparece o povo tá pegando, eu heim..., precisa filtrar melhor, vejo muito ignorância nas escolhas. Em contrapartida tem muita gente incrível, com conteúdo interessante sem conseguir aparecer direito. 




O tempo passou e você conserva o ar de menina e a beleza que chamou atenção do grande público. Existe segredo para isso? Que cuidados mantém e até onde vai sua vaidade? Isso é o que mais ouço do público, o que eu faço pra me manter assim, juro que não sei responder, acredito ser a genética. Minha família dos dois lados são muito bonitos, e sem fazer nada. Claro que eu me cuido, mas não tenho nenhuma receita mágica, às vezes fico pensando se o fato de eu nunca ter bebido nada alcoólico, drogas, cigarro, mesmo tendo sido casada com um roqueiro (pois ele NUNCA me ofereceu nada de droga ou álcool), se isso tem ajudado nessa questão da beleza. Lá no fundo, eu acho que sim, por que quando vejo pessoas que fumam e bebem muito, no ato a pele do rosto já entrega um envelhecimento ali. Então agradeço mais essa sorte na minha vida. Minha vaidade é a seguinte "não ficar refém da vaidade", o resto procuro me cuidar sempre. Ttendo uma atividade física, nosso corpo não foi feito e nem pode ficar parado. Sedentarismo é a morte pra gente. Faço pilates, que amo, fui bailarina por muito tempo, já fiz muita Yôga, fiz esgrima por muitos anos também. Não paro. Cada hora uma coisa me instiga para movimentar o corpo, e vou lá e faço; cuido da minha alimentação, tenho dois excelentes dermatologistas, faço tratamento pra celulite, drenagem, sempre usei e uso protetor solar, não durmo de maquiagem, limpo a pele e uso os creminhos certos que são sempre manipulados. 

Até que ponto o assédio é bom e até que ponto passa a ser abuso? Quem define esse limite é a mulher ou existe um padrão? Quem deveria definir isso seria a educação das pessoas né? Eu nunca sofri abuso, graças a Deus, e também nunca fui assediada de forma abusiva, talvez isso aconteça por eu estar em lugares mais reservados, lugares que já frequento e sei como é. E também a postura, a maneira como nos apresentamos e nos colocamos interfere bastante, isso não quer dizer que estou livre de aparecer um desavisado qualquer e me desrespeitar. Acho complicado o momento em que vivemos, onde todo mundo tem uma opinião de tudo, e o assédio também pode ser tudo, até um "oi" falado de forma diferente pode ser denunciado como assédio. Hhá muito exagero nisso. Tem de ser tomar muito cuidado. Essa coisa de denunciar um assédio, que aconteceu anos atrás é uma cilada. Falo isso por que lembrei do caso do ator Kevin Spacey, onde um rapaz desconhecido, depois de 15 anos, vem do nada à mídia e fala que foi assediado por ele quando era adolescente. Que que é isso meu Deus, o cara traz essa história pra mídia hoje, coloca o ator que é uma pessoa pública numa situação horrível e ainda prejudica a carreira dele, por um acontecimento de 15 anos atrás..., vai resolver isso na terapia, ou então liga para o próprio ator e xinga ele, sei lá. Conversa, resolve isso com ele, sei o quanto isso é errado e horrível esse tipo de assédio, mas não dá pra usar a mídia pra lavar a roupa suja dele. Isso é bem diferente dos assédios que aconteceu com atrizes e com colegas do meio de trabalho, como diretores produtores, pessoas que temos que conviver no nosso trabalho, encontrar sempre, conversar, estar em contato. Essa situação é humilhante, e de uma falta de respeito absurdo, por que precisamos do trabalho, e aí usam esse poder que eles tem em contratar, e abusam do assédio pra intimidar, acuar, coloca o artista numa situação constrangedora. Temos que tomar muito cuidado com isso, pois é muito sério. 

Você parece ser uma mulher de atitude. Como você se posiciona na hora da paquera? Que sinais dão a entender seu interesse? Sou mega sem jeito pra falar disso...(risos), ai ai, acho que meus sinais são o "olhar", olho de forma diferente quando tenho interesse em alguém, converso mais. São conversas mais longas, pois já tô querendo conhecer ali um pouco mais da pessoa. Sou mais cautelosa, não vou com tanta sede ao pode...(risos), sou mais atenta. 


O que os homens ainda não sabem (ou teimam em não saber) sobre as mulheres? O que eles não sabem é ter paciência. Mulher é um bicho esquisito...(risos), produzimos muito mais hormônios que eles. Mas vejo um movimento de alguns homens em busca de conhecer mais a mulher, e isso é incrível. O que não dá, é ficar fechado sem se dar a oportunidade de saber quem é essa mulher que eles estão se relacionando. O diálogo é uma arma poderosíssima. Vamos dialogar mais. 

A nudez parece nunca ter sido um tabu para você. Verdade? Com o tempo isso mudou? Tabus devem ser ultrapassados? Nunca foi um tabu mesmo. Desde minha infância, adolescência, em casa sempre foi visto com muita naturalidade, sem histerismos. Tabus vem muito do tipo de educação que cada pessoas recebe, ele não aparece do nada. Sim, tabus devem ser ultrapassados, porque um tabu é como uma proibição, é isso não é saudável pra ninguém. Quem sofre muito com tabus, precisa investigar como isso foi sendo colocado na cabeça dessa pessoa, precisa desmistificar, para tornar mais leve. Senão é muito sofrimento. A terapia é um bom lugar para se discutir esse assunto sem ser julgado. 


O que te distrai e te instiga nos momentos de ócio? Ócio é muito importante sabia? Tem um livro incrível que fala muito bem sobre o ócio criativo, é do Domenico Mazzi, vale muito a pena ler. Eu gosto muito de ficar em casa, o fato da gente viajar muito a trabalho, a casa passa a ser o lugar mais confortável, assisto muitos filmes, séries com pipoca no sofá..., vou muito ao teatro, cinema, gosto de estar com minha família, organizar almoços com eles, levar meus sobrinhos para exposições, brincar... coisas simples. A felicidade está no simples. 

Quais são seus projetos profissionais para esse ano? Em março estreia uma série que fiz pra Netflix, será lançada em 180 países simultaneamente..., estou ensaiando minha próxima peça de teatro, volto com meu programa sobre as mulheres no cinema, agora falando dos homens no cinema. Tenho minha produtora onde fazemos conteúdo e séries pra TV e lanço meu livro onde relato minha experiência com Toc. Essas são algumas coisas que farei esse ano. 

Para conquistar Luciana basta... Conquistar não é só pra namorar, casar, mesmo por que já estou casada, mas a conquista é importante também no trabalho, na vida, com amigos, e pra isso basta ter verdade. Coração aberto, bem querer, e aquela porção mágica que se chama "afinidade"...(risos), é isso. 


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

CARRO: Bugatti Type 57SC Coupé Atlantic, eleito automóvel mais excepcional do mundo

O que faz um carro atiçar sua imaginação? O que nos inspira a sentir algo diante de um belo carro? Para qualquer entusiasta, o Bugatti Type 57SC Coupé Atlantic responde essas questões com suas curvas e detalhes art deco. Seja por seu patrimônio, beleza ou novidade, este carro conseguiu tudo ao longo do tempo, e é por isso que modelo azul 57SC ganhou o lugar dos ilustres clássicos no “The Peninsula Classics Best of the Best Award”, o melhor dos melhores prêmios de carros já fabricados. Para aqueles que não sabem, esta competição apresenta os carros mais valorizados do mundo e são julgados por alguns dos maiores nomes da comunidade clássica do carro, incluindo Jay Leno e Ralph Lauren. 

Em seu terceiro ano, The Peninsula Classics Best of the Best Award reuniu oito dos melhores carros clássicos - o melhor dos vencedores do concurso internacional - para competir pelo título do automóvel mais excepcional do mundo. E não por acaso o grande vencedor desse ano foi o Bugatti Type 57SC. O modelo é co-propriedade do Mullin Automotive Museum e Rob & Melani Walton, localizado na Califórnia, EUA, e foi nomeado "Best of Show Concours d'Etat" no Chantilly Arts & Elegance de 2017, no hotel The Peninsula Paris. O carro foi selecionado depois de ser revisado por 24 especialistas automotivos, designers e celebridades notáveis no mundo automobilístico.


 Sua raridade é apenas uma das muitas razões por trás do preço estimado de 40 milhões de dólares desse carro. Com um motor superalimentado e considerado por muitos como o primeiro supercarro já fabricado, o Bugatti vencedor é um dos quatro modelos do Tipo 57 Atlantic já produzidos, existem apenas três no resto do mundo. O veículo foi projetado no auge do movimento art deco por Jean Bugatti, filho de Ettore Bugatti. Jean baseou o carro em seu outro design, o Concept-car Aérolithe de 1935, que era famoso por sua traseira externamente arrebitada, por medo de que as partes do corpo de liga de magnésio pegassem fogo. Jean manteve essa assinatura com rebordo arrebitado no corpo todo em alumínio do Atlântic.

"O Bugatti Type 57SC Atlantic é a joia da coroa do circuito automotivo", afirmou o chefe da tradição de Bugatti, Julius Kruta. "Este carro era a obra-prima de Jean Bugatti com suas linhas lindas e de tirar o fôlego, além de seu desempenho inigualável para o tempo. Hoje, continua a ser a melhor expressão do legado Bugatti: poder incomparável e belo design".

Este modelo, número de chassi 57374, foi o primeiro tipo 57 Atlântic produzido e é o único sobrevivente "Aéro Coupé", uma designação dada aos dois primeiros carros que eram mecanicamente muito parecidos com o Aérolithe. O carro foi entregue em 1936 para o britânico Nathaniel Mayer Victor Rothschild, terceiro Barão Rothschild, e passou por alguns proprietários em seus 82 anos de história. O carro foi exibido internacionalmente, e mais recentemente, foi exibido no Petersen Automotive Museum, em Los Angeles, para a exposição "Art of Bugatti".

"De suas curvas de assinatura aos seus rebites inspirados pela aviação, ao corpo lustroso de alumínio projetado Jean Bugatti, o carro é verdadeiramente uma peça de arte notável. Tenho muita honra em compartilhá-lo com o mundo entre outros "concorrentes melhores do Best of the Best", disse Peter Mullin, fundador e CEO do Mullin Automotive Museum.

Os fundadores do prêmio “The Peninsula Classics Best of the Best Award” são conhecidos como alguns dos principais especialistas em automobilismo do mundo, e foram reunidos por sua paixão compartilhada por veículos motorizados finos, restaurações impecáveis, bem como a preservação da tradição e do patrimônio.

Anteriormente apresentado durante a Semana do Automóvel de Monterey, o prêmio mudou-se para Paris este ano para ser apresentado durante o mundialmente famoso evento de Rétromobile. O Bugatti foi apresentado em uma festa reveladora exclusiva na garagem subterrânea da Península de Paris, seguindo um jantar privado.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

MULHER EM FOCO: Camila Ganzolli - Festas como foco de um grande negócio

O sucesso profissional muitas vezes surge do acaso, quando a rotina tira o foco do que muitas vezes é o mais importante para atingir nossas metas. E um bom exemplo disso é a trajetória da empresária carioca Camila Ganzolli, onde um problema familiar a levou para uma nova perspectiva profissional e hoje ela possui uma empresa que trabalha com design de festas e outra de flores. Com muita criatividade, talento e enxergando o que realmente o seu cliente quer, Camila seguiu o ano com perspectiva muito positiva mesmo no meio de ajustes econômicos atuais. 

Camila sua carreira como designer começou por acaso, mais especificamente quando você precisou idealizar uma festa de aniversário do seu filho. Como foi que isso aconteceu? Digo que Deus tem um caminho para cada pessoa, e o meu descobri quando fui fazer a festa de 1 ano do meu filho mais novo. Os valores estavam mais altos do que queria investir. Eu queria um tema diferente do famoso "Pintinho amarelinho", sem estar vinculado com a Galinha Pintadinha. Resolvi adaptar à festa ao meu orçamento, fazendo eu mesma, ao invés de contratar decoração. Coloquei no papel detalhe por detalhe. Vi que tinha um dom escondido, mas tive certeza no dia da festa. Foi surpreendente! Os convidados elogiaram tudo, do buffet à decoração. Tudo tão diferente, tão harmonioso. Foi muito gratificante!

Como foi que surgiu oportunidade de você se tornar uma empresária do ramo de festas? Meu filho mais novo, vivia tendo sérios problemas de saúde, sempre gripado, com infecções, crises respiratórias, até que um dia, em uma destas crises, foi diagnosticado, que ele era alérgico a ovo, trigo e leite. Meu mundo desmoronou, pois estava planejando a festa de aniversário de um ano dele quando soube que ele não poderia comer nada daquilo. Esta dor acabou se tornando em uma depressão. Uma amiga me vendo naquele estado, decidiu me ajudar a ocupar a mente, e me convidou para ajudá-la na empresa de festas, a qual ela trabalhava. Chegando na DUETT FESTAS, fiquei encantada com tantos detalhes, me senti tão leve! Como se aquele lugar me fizesse esquecer os problemas e ainda podia fazer algo que eu amava. Por coincidência estavam querendo dar uma elevada na empresa trazendo novos investimentos, quando perguntei se não queriam uma sócia e gostaram da ideia! Virei sócia e 6 meses depois, por problemas pessoais da outra sócia comprei a parte dela e hoje sou a atual Dona da Duett. Continuamos dando seguimento, mas com melhorias em questões de detalhes, melhores preços, qualidade, que ela sempre teve e considerando um atendimento qualificado.


Você cria cada projeto personalizado, qual o diferencial do seu trabalho como designer e com consultoria e planejamento de eventos? Hoje vejo que cada evento é único. Mas é no estilo do cliente que buscamos a inspiração, desde o convite aos arranjos até os últimos detalhes que vai do porta guardanapo a lembrança do convidado. Na Duett, não só eu, mas toda minha equipe está treinada para fazer a leitura do cliente. Acho que ao longo do tempo aprendi a decifrar muito do que os clientes querem em seus eventos, observando seus gestos, seus olhares e até a roupa que se usa. Vemos seus olhos brilharem, assim sabemos quando estamos no caminho certo, ao criar o evento a qual ele sonha e imagina cada detalhe. 

Quais são as maiores dificuldades encontradas no mercado de festas e o que você considera eficaz para manter seus clientes motivados? Atualmente são inúmeras as dificuldades, mas as mais evidentes são escassez de matéria-prima, que ao mesmo tempo e muito grande o leque, mas sempre em quantidade menor. Outro ponto é a desvalorização de nossa área por meio de alguns profissionais que fazem por hobbie. Acima de tudo existe a crise econômica no país, que afetou não só o nosso setor mas todos, fazendo com que as pessoas diminuíssem os custos de investimentos em eventos. Mas conseguimos readequar as ideias e matérias-primas usadas, estando de acordo com o investimento do cliente, acho que isto gera fidelização na clientela.

Você está preparando a inauguração de um novo braço de sua empresa no Rio de Janeiro, no segmento de flores, como vai se configurar esta “joint venture”? Foi por acaso, que surgiu uma conversa sobre este empreendimento: Estava tomando café com pessoas renomadas e de tradição no setor de flores, quando comentei sobre um projeto meu, um sonho! Eu estava fazendo um estudo de mercado nesta área. Daí descobri que estavam cogitando a mesma ideia, para longo prazo, mas faltava alguém nesta área de designer. Foi que surgiu a “joint venture”, seria um bom investimento e um casamento perfeito para ambas as empresas, pois não há nada parecido no Brasil. Estamos confiantes para ano que vem já inaugurar o empreendimento que une flores e designer.

Projetos para 2018? Expandir minha empresa e iniciar este novo empreendimento no Rio de Janeiro. Quero estar mais tranquila para viajar mais! Adoro conhecer novos lugares e culturas diferentes. Peço a DEUS que o ano novo seja cheio de bênçãos e luz para mim e minha família. E ao mundo, mais amor e igualdade!

FOTOs  EDU RODRIGUES
PRODUÇÃO MARCIA DORNELLES

BELEZA CATY PIRES

CAMILA VESTE: Só A Rigor
AGRADECIMENTOS: Carmem Leboreiro, Windsor Copa Hotel (21) 2195.5300, 
Carla Flores (21) 3860.2169

ESTILO: Chapéu Panamá, como escolher o seu, usar e conservar

O uso de chapéu para os homens sempre foi algo muito comum antes dos anos 50. Usar alguns modelos de chapéus até eram questão de status, como os modelos usados por coronéis ou da elite mais tradicional. Hoje em dia muitos modelos estão voltando para o guarda-roupa masculino sem ser taxado de algo usado apenas pelos avôs. Modelos como as boina e o mais comum, o Panamá, estão em alta e cada vez mais usados. No caso vamos focar no panamá, que na verdade é fabricado no Equador com a palha da planta Carludovica palmata ou palha de Toquilla. Por se tratar de um material leve e fresco, sem falar da proteção contra o sol, esse modelo de chapéu tem tudo a ver com nosso clima no Brasil. Além de ser muito fácil de combinar com os mais variados estilos, indo do terno com sapato social à bermuda com chinelo de couro. Pensando nisso separamos algumas dicas para quem quer aderir a esse adereço:

MODELO CLÁSSICO  

Com esse modelo não tem erro. Geralmente na cor marfim, ele possui a copa mais alta e quadrada. Por sua cor neutra fica fácil de combinar com qualquer peça e seu formato traz um tom elegante ao look e para qualquer ocasião. 

ETIQUETA

A boa etiqueta, seja ela para qualquer for o modelo de chapéu, é que ao entrar em um ambiente fechado, deve-se tirar o chapéu da cabeça. Exceto lugares abertos como shopping ou feiras. 

NÃO COMBINA

Esse tipo de chapéu é fácil de combinar como já citamos, mas às vezes se torna demais se usado junto com tênis, roupas muito estampadas com símbolos, short tactel, camisa regata (essa difícil de combinar com algo fora da academia) e sandália de velcro (cada vez mais em desuso). 

NA MEDIDA CERTA 

É importante que o chapéu pareça ser seu e não de alguém que tem a cabeça maior ou menor que a sua. Ele não deve parecer uma cuia de coco de tão pequeno e nem um chapéu que esconde seus olhos de tão grande. O importante, isso para qualquer modelo de chapéu, é usar o tamanho ideal para sua cabeça, nem muito folgado e nem apertado ao ponto de não entrar na cabeça direito.

VERSÁTIL

Por ser um modelo clássico e uma cor neutra (marfim), ele cai perfeitamente com um look total jeans, quebrando um pouco a combinação. Vai bem com pulseiras de contas ou couro, cinto e sapato de couro e óculos de armação levemente arredondada. Assim como vai muito bem com terno, blazer e costume. Complementando com óculos de sol estilo wayfarer, sapatos estilo brogues e relógios com pulseira de couro. Um blazer preto justo e uma calça skinny caem perfeitamente bem com um Panamá preto para uma ocasião à noite. 




COMO MANTER SEU CHAPÉU

Como o chapéu panamá é feito com palha e tecido, ele nunca deve ser levado. Isso iria fazer com que ele perdesse o molde natural e ficasse amassado. Depois para desamassar vai ser praticamente impossível, só usando suporte de cabeça e nem sempre funciona. O correto é usar panos úmidos para passar no local. O mais indicado são aquelas espumas que limpam à seco.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

MUSA: Edvana Carvalho, uma baiana arretada que nos encanta dentro e fora da TV


Tem aquela frase que diz que “baiano não nasce, estreia”. Isso se encaixa perfeitamente para nossa queria musa desse Carnaval, a atriz Edvana Carvalho. Uma baiana alto astral, professora, cria do Bando de Teatro (Olodum) e atriz da TV, que recentemente participou da novela Pega-Pega na Globo. Nesse carnaval ela pode ser a Mulher-Gato ou uma Gueixa, não importa, o que não pode faltar é alegria. Como um trio elétrico permanente, Edvana sempre trilhando por caminhos distintos, educação e arte, que se completam e a tornam essa mulher especial que ela é. Apaixone-se por essa Black Panther pois ela merece todos os títulos, dentro e fora da TV.

Edvana, essa época de Carnaval a baiana que existe em você aflora mais que o comum? Como é sua relação com o Carnaval? E como aflora!!!! (risos) Adoro Carnaval. Minha mãe e meu pai sempre foram carnavalescos, acho que essa admiração que eles tinham pela festa passou para mim. Amo todas as festas populares da Bahia.


Qual sua fantasia e seu ritmo preferidos nesse período momesco? Adoro todos os ritmos, assim como adoro a Baia de Todos os Santos. Adoro a diversidade cultural e antropofágica de Salvador. Minha fantasia sempre é a que estiver mais fácil no momento, como tenho sempre algum adereço de teatro acabo montando algo, vou de Black Panther, de Gueixa, Mulher das Galáxias, loira Hollywoodiana... Já fui de noiva quase virgem, de índia, as vezes só de short e tênis velho, o que a inspiração e material proporcionar na hora, adoro o improviso e nunca aluguei fantasia.

Ter nascido em Salvador já é uma festa. Que boas memórias e referências você leva pra vida de sua cidade? Em Salvador aprendi que vizinhos têm que dividir, é uma xícara de açúcar, um pouquinho de café, um punhado de sal, a troca e a ajuda mútua são referências importantes que levo da comunidade. Aprendi que quando se convida 2 se faz comida pra 5, esperando o inesperado para não deixar ninguém com fome. Com os artistas do centro histórico aprendi a ser artista, aprendi que as coisas não mudam muito ao sair do São Caetano para Pituba, porque o preconceito não vê classe social. Eu cresci vendo o Ilê Ayê subir o Curuzu com toda sua magnitude, que desde sempre me achei rainha!!! (risos)

Salvador / Bahia é um local muito rico culturalmente. Para você que é atriz e professora deve ser um belo universo para inspiração. Como suas raízes culturais influenciaram na profissão? Me enxergar fazendo parte de Salvador culturalmente. Sempre foi muito fácil, tudo vinha de uma herança africana, a nossa comida, a nossa música, as nossas danças o colorido das nossas roupas, sempre me identifiquei muito com a cultura negra da minha cidade, no entanto quando comecei a fazer teatro na década de 80, não tinha outdoors com meninas negras como eu estampado na cidade, também não tinha peça onde eu poderia ser protagonista, junto com outros artistas da cidade, eu e meus amigos, fundamos o Bando de Teatro, que tinha um elenco negro, e falava das nossas questões, dores e alegrias. Todas essas experiências levo comigo tanto pros palcos como às salas de aula. 




Recentemente você participou da novela “Pega-Pega” e antes passou por duas temporadas de Malhação. Que referência da sua terra você levou para a capital carioca e o que levou do Rio para a Bahia? Assim como no teatro é também uma delícia trabalhar na TV, cansativo mas gostoso. A troca com os colegas e amigos do elenco, da produção inteira, o aprendizado de diferentes técnicas recheiam a minha atriz. Meu avô paterno escolheu o Rio como moradia e lá ficou até os seus últimos dias, minha relação com o Rio, assim como São Paulo, tem um pouco de familiar.

Ser atriz e educadora te realizam em que pontos? Saberia escolher apenas uma profissão? Digamos que a ribalta é meu vício e que a sala de aula é o que tenho a oferecer como ser humano, para melhoria e evolução da espécie, (risos). Não saberia escolher entre uma e outra, pois as duas me completam.

O quanto o teatro Olodum ajudou na sua formação de atriz e nas metas que você atingiu? O meu primeiro curso de teatro no Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, o do Sesc e a formação do Bando de Teatro (Olodum), foram minhas escolas. Tive a Oportunidade de trabalhar com os melhores mestres da cidade, aprendi a cantar, dançar, improvisar, e principalmente a trabalhar em prol do grupo, e não de um protagonismo. Tudo que conquistei e conquisto, devo a minha mãe e aos meus mestres.



Como foi participar de “Pega-Pega”? Que experiências acumulou com esse trabalho? Uma delícia ser escalada pelo Fabio Zambroni, ser dirigida por uma equipe de diretores e diretoras fantásticos, comandados pelo Luiz Henrique Rios e o Marquinho Figueredo. O texto inteligente e bem humorado da Claudia Souto, e a parceria do elenco inteiro foi uma receita feliz! Muitas saudades.

Nesse ensaio feito para a MENSCH você mostrou que está em plena forma física. Como cuida do corpo e da alimentação? É muito vaidosa? Sempre me exercitei e procuro comer saudável, mas aviso, como de tudo, não tem tempo ruim, (risos). Este ano faço meio século de vida, estou comemorando meus 50 anos com muito orgulho e bom humor, as dores aqui e acolá fazem parte, mas ainda assim, acho melhor envelhecer bem do que morrer jovem.

O que um homem precisa ter e ser para chamar sua atenção? Ter caráter e ser gostoso. Não tenho paciência para homens mal resolvidos. O tempo urge (risos).

E o que vem por aí? Soubemos de um seriado para esse ano... Conta um pouco. Por enquanto “Ó Paí Ó 2” e a série dos “Irmãos Freitas”. Os detalhes vocês vão conferir nas telas.

O que essa baiana tem que encanta tantas pessoas? Ah...Borogodó! (risos) E quem quiser saber o que é, que se achegue! Um cheiro!



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

HISTÓRIA: Nos Passos do Frevo - O museu que evoca e exibe o ritmo do Carnaval pernambucano

Comemorando o dia do Frevo, em 09 de fevereiro de 2014, Recife recebia o que há muito já merecia: um museu dedicado à história do Frevo. O Paço do Frevo nasceu para ser um centro de referência de ações, projetos e atividades de documentação, transmissão, salvaguarda e valorização de uma das principais tradições culturais brasileiras, reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco: o frevo. Além de reconhecer a importância do Frevo não só para o Brasil, principalmente, para Pernambuco, o Paço abre espaço para que residentes e visitantes possam não só “cair no ritmo”, mas, sobretudo, conhecer a fundo a história desse ritmo, dos blocos, de cada passo e de como a vida pulsa entre sombrinhas e clarins.

Localizado na Praça do Arsenal da Marinha, no Bairro do Recife, o Paço é uma iniciativa da Prefeitura do Recife, com realização da Fundação Roberto Marinho e gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). O projeto conta com o patrocínio cultural da Rede Globo e do Banco Itaú. Os patrocinadores do espaço são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), o Governo do Estado de Pernambuco, por meio de sua Secretaria de Turismo e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o Instituto Camargo Corrêa, o Instituto Votorantim e da Pilar Produtos Alimentícios e apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.



PRA VER, OUVIR E APRENDER 

O Paço do Frevo, além de ser espaço para contemplação da cultura pernambucana é também lugar de aprendizado interativo. A Escola de Música busca formar novos profissionais e gerações de orquestras de frevo, mas também pode receber aquele visitante curioso que quer aprender, sem grandes pretensões profissionais. A Escola de Dança, da mesma forma, serve aos foliões que querem fazer bonito no carnaval e também aos profissionais da dança que querem se formar passistas e levar a arte do frevo para além das fronteiras do estado e do país.

Com salas próprias para realização de workshops, encontros e palestras, muitas pessoas podem não só aprender os passos e o uso dos instrumentos do frevo, mas também debater sobre sua origem e seu papel na sociedade atual, e produzir e difundir suas atividades e os produtos gerados por elas. O Paço do Frevo conta com:

- Estúdio de gravação montado no primeiro andar aberto para receber músicos profissionais e amadores.

- Centro de Documentação Maestro Guerra Peixe promove a produção, organização e acesso a documentos e informações relativas ao frevo disponibiliza um acervo em expansão com mais de 900 exemplares de livros, revistas, catálogos, periódicos, CDs e DVDs. O Centro de Documentação também tem como objetivo produzir, sistematizar e difundir memórias, conhecimentos e conteúdos relacionados ao frevo e ao patrimônio cultural imaterial.

- Rádio online que é responsável pela difusão audiovisual sobre quem compôs o frevo (canção) e ainda menciona suas criações do passado.



UM MUNDO DE CORES 

Muito além do colorido vibrante das sombrinhas e roupas dos passistas, o Paço do Frevo recebe a todos em um universo de cores, palavras, expressões e memórias relacionadas ao frevo de forma contagiante. 

Quem vai ao Paço tem a oportunidade de conhecer desde os principais acontecimentos da história do frevo na linha do tempo, no térreo do prédio, até os estandartes e flabelos de importantes blocos e agremiações pernambucanos na estonteante Praça do Frevo, no 3º andar do imóvel restaurado.  

O PRIMEIRO ANO 

Em seu primeiro ano de funcionamento (inaugurado em 9 de fevereiro de 2014), o espaço se tornou um centro de referência e levou mais 122 mil pessoas a conhecer e aumentar seu encantamento com o frevo. Só no mês de Janeiro de 2015, o espaço bateu todos os recordes de visitação, recebendo mais de 17 mil visitantes. Ao todo, mais de 23 mil pessoas participaram de visitas guiadas que receberam os visitantes todas as semanas ao longo desse primeiro ano.

Outra importante conquista foi a inserção do Paço no calendário de grandes eventos culturais da capital pernambucana, como a 11ª Mostra Brasileira de Dança e o 19º Festival Internacional de Dança do Recife. Em 2015, essas parcerias continuam com o espaço marcando presença em eventos como o Janeiro de Grandes Espetáculos e o Porto Musical. Ao longo de 2014, o Paço recebeu uma programação intensa, contribuindo para que o frevo seja vivenciado, renovado e fortalecido durante o ano inteiro, incentivando o mercado e promovendo a sua salvaguarda. 



OUTROS NÚMEROS MOSTRAM A FORÇA DO PAÇO DO FREVO 

Até janeiro de 2015, foram 93 apresentações culturais, entre bandas, artistas e agremiações. Nas 37 edições da Quinta no Paço, realizadas no 3º andar do prédio, agremiações e grupos alternaram encontros com a tradição da cultura popular e novas experimentações da dança e da música do frevo. Entre os destaques dessa programação, Quinteto Violado, O Bonde Bloco Carnavalesco Lírico, Coral Pró-criança, Flaira Ferro, etc. 

Nas 40 apresentações da Hora do Frevo realizadas no Evoé Frevo Café, releituras do frevo foram experimentadas, tais como o frevo em rabeca de Cláudio Rabeca, o frevo para sanfona com Mestre Camarão e a música instrumental de jovens artistas como Henrique Albino. Além disso, onze Arrastões do Frevo fizeram com que a programação artística do Paço do Frevo extrapolasse os muros do museu, colocando todo mundo para frevar nas principais ruas do Bairro do Recife. 

Também foram realizados três (Com)Passos, encontros de improviso entre bailarinos e músicos e dois Conexões Frevo, momentos de intercâmbio cultural com outras expressões como o bluegrass americano e o fado português e o encontro do Maestro Forró com o grupo norte-americano Clinton Curtis Band, no Conexão Cultural 2014 Estados Unidos-Pernambuco, e o intercâmbio entre o frevo e o fado português protagonizado pelos músicos pernambucanos Geraldo Maia, Beto do Bandolim e os grupos Brasil Sonoro e Fado ao Centro, de Portugal, são exemplos de como o museu(Paço do Frevo) pode explorar o potencial internacional do frevo e ser um forte indutor de intercâmbios entre artistas, bandas e grupos. 

Para coroar este primeiro ano, o Paço do Frevo se despediu de 2014 realizando a Cantata do Paço, com direção do maestro Marcos Cesar e apresentação da Orquestra Retratos e do Coral Edgard Morais. O espetáculo trouxe as influências do pastoril, manifestação folclórica típica do Natal (dnça Portuguesa originada a partir de atividades pastorais). 

No campo da formação (estudo do frevo), o Paço do Frevo promoveu, com o apoio da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o 1º Encontro de Pesquisadores do Frevo, reunindo estudiosos do mundo acadêmico e profissionais ligados ao universo do frevo para discutir alternativas para a salvaguarda desse bem cultural. O evento mobilizou cerca de 150 pessoas, com destaque para a participação do multiartista Antônio Carlos Nóbrega. O Paço também ofereceu 33 cursos e oficinas na Escola de Dança e na Escola de Música, que atraíram mais de 567 alunos, tanto do público local quanto de turistas. O evento de formação das turmas do Curso Regular de Frevo e de Técnica Vocal foi um dos destaques da área neste primeiro ano de funcionamento do Paço do Frevo, bem como a realização do Quatro Frevos em Debate, mesas de discussão sobre o mercado da música, o ensino da dança, entre outros temas relacionados à cultura do frevo. 

 “As ações de formação, difusão e fruição do frevo em seus gêneros musicais objetivaram a estruturação de um mercado anual. Nesse contexto, estreitamos relações com os músicos e maestros escolásticos de referência nacional e internacional (como Clóvis Pereira, Duda, Nenéu Liberalquino, Édson Rodrigues, Ivan do Espírito Santo, Spok, Marco César), ao ofertar cursos que completaram a rede de ensino musical da cidade. Contribuímos para a renovação de repertório e atuamos na qualificação profissional dos músicos”, pontua o Gerente-Geral do Paço do Frevo, Paulo Braz. 



PARCERIAS 

Importantes instituições pernambucanas se colocaram como parceiras do Paço no desenvolvimento da cultura do frevo, entre elas, o Departamento de Música da UFPE, Biblioteca Central da UFPE no trabalho de restauro e conservação do acervo, da Banda da Polícia Militar de Pernambuco, o Comando da Base Aérea de Recife – BARF, na cessão de professores para o início das atividades da futura Orquestra do Paço do Frevo, o Sebrae e o Consulado Americano.

 “Foi um ano de grandes desafios, mas, também, de significativas conquistas, principalmente quando tratamos do desenvolvimento de públicos, formação de plateias e ativação da cadeia criativa e produtiva do Frevo. Há um campo de oportunidades a ser explorado, de profunda ressonância social, imenso repertório simbólico e potencial econômico. Investimos, neste primeiro ano, na convivência e reflexão, experimentação e renovação, criação e difusão, abrindo possibilidades concretas para o desenvolvimento de iniciativas direcionadas à memória, inovação e salvaguarda deste patrimônio imaterial, do Brasil e do mundo”, ressalta Eduardo Sarmento, Gerente de Conteúdo do Paço do Frevo. 

SERVIÇO 

Paço do Frevo - Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife - Terças, quartas e sextas: 9h às 18h. / Quintas: 9h às 21h / Sábados e domingos: 12h às 19h. Ingresso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Mais informações: 3355-9500 / www.pacodofrevo.org.br

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

ESTRELA: Paloma Duarte articulada,talentosa e cheia de novos projetos

Desde muito cedo estamos acostumados a ver a atriz Paloma Duarte na TV. Filha de atriz consagrada, Paloma nunca ficou na área de conforto e sempre trilhou seu próprio caminho no mundo artístico. Antenada com as novas possibilidades de comunicação e de mostrar sua arte, atualmente a atriz se sente livre para voos mais altos como investir na carreira de produtora e trabalhar novas mídias. Recentemente, participou da série “Eu, Ela e um Milhão de Seguidores” e reafirmou a possibilidade que as redes sociais, quando bem trabalhadas, podem render bons frutos. Fora tudo isso, sua principal vocação é ser mãe e Paloma tira de letra esse “ofício”. Batemos um ótimo papo com a atriz e o resultado você confere, abaixo.

Paloma, depois de participar de “Eu, Ela e um milhão de Seguidores”, série do Multishow, sua visão sobre redes sociais mudou em algo? Como essa experiência te tocou? Sim. Pra começar, tive que aprender a fazer coisas básicas, como stories… (risos) Pelo lado profissional, também comecei a seguir algumas pessoas. É uma loucura esse universo! Tem muita coisa interessante, mas também tem muita bobagem. Mas é uma questão de saber filtrar o que te acrescenta ou não.

É muito surreal para você como atriz imaginar que hoje em dia muitas vezes se avalia um artista pelo número de seguidores. Isso está se tornando (em muitos casos) determinante para um trabalho (seja ele qual for). Como vê isso? Completamente surreal! Me dói muito imaginar que o talento de alguém seja avaliado dessa maneira, até porque tem gente que compra seguidor. É um mercado. Mas fica a pergunta: que tipo de mercado? Mas vida de ator tem dessas coisas. Antes eram os realities que nos invadiam, agora são os seguidores no instagram. Vai aparecer gente nova, claro, com talento ou sem. O tempo sempre faz sua peneira.

Ao mesmo tempo, plataformas como YouTube e Facebook estão sendo um novo canal para atores mostrarem seus trabalhos de forma mais independente. Que pensa disso? Eu acho isso ótimo! Quem gosta e tem conteúdo, seja como humorista, ator, etc..., tem mais é que botar seu trabalho nessa vitrine. Sigo vários no Youtube! Pra mim, o Facebook já tá um pouco ultrapassado, perdeu a graça, apesar de reconhecer a importância da plataforma, inclusive para dramaturgia.

Novos meios como Netflix, TV por assinatura e internet chegaram para dividir mais ainda o público de TV aberta e, cada vez, ela perde espaço. Você acredita no fim da TV com seu formato tradicional? Em que a TV convencional precisa mudar ainda? Ainda não. Estamos vivendo o que a música viveu anos atrás, quando ainda se discutia se o CD deveria ter encarte com letras ou não. Aí veio o mp3 e mudou tudo. Acho que as novelas estão se adaptando. Hoje temos no ar uma trama que praticamente não tem cenário e onde quase tudo é computadorizado. Claro que, quando pensamos em plataformas como Netflix, três coisas ficam evidentes pra mim: que as novelas deveriam ser mais curtas, que a “Era” dos contratos longos está cada vez menor e, claro, que a Globo já deve estar preparando sua própria “Netflix”. Até porque, já existe na plataforma digital dos sites da Globo a opção de assistir o capítulo das novelas na hora que o expectador quiser. Eles não dormem no ponto!


O grande público ficou acostumado a te ver na TV desde muito cedo. Filha de atriz e estrela na Globo. Existiu em algum momento uma cobrança velada? Nunca! Sempre me dediquei muito e busquei meu caminho independente disso. Amo o que faço! Se teve alguma cobrança, nunca percebi.

Muitos artistas sem contrato fixo com uma grande TV se sentem meio perdidos. E você, como encara essa ideia? Te instiga mais a ousar ou bate uma insegurança maior? Passei 30 anos contratada! Tenho 40 e comecei cedo. Demorei a decidir ficar sem contrato, mas eu precisava saber quem eu era artisticamente nos dias de hoje e com todas essas mudanças. Acho estimulante sair de um lugar confortável e me redescobrir. Não estou dizendo que não quero mais fazer novelas, muito pelo contrário. Tenho saudades, mas foi fundamental dar esse tempo para saber do que eu queria falar e de que forma.

A liberdade de não ter “amarras” de contrato te deixa mais à vontade para criar? Isso te influenciou a ser produtora de seus próprios projetos? Sim! Ter tido tempo para produzir o que acredito, me deixou pronta para retornar esse caminho extenuante e lindo que é fazer uma novela! Foi muito importante.

Acha que a cobrança em cima da atriz é maior do que em cima dos atores (homens)? Se sim, quando sente isso? Não. Ator é ator, independente do gênero.

Hoje em dia, com a exposição de casos de assédio na TV e cinema, ficou mais difícil ou mais fácil as relações de trabalho? Acho bonito todo esse redescobrimento do feminismo. Parece que uma geração inteira, literalmente, o redescobre agora. Eu sempre fui fã de Betty Friedan. Mas deve se ter cuidados com radicalismos, porque aí, ao contrário do que se espera, gera-se retrocesso; na minha opinião.

Você parece ser do tipo bem mãezona. Onde você acha que acerta em cheio como mãe e quando acha que passa do limite? Acho que toda mãe, ao parir, sente de cara, amor e culpa (risos). Gosto de ser mãe e isso é, disparado, meu primeiro ofício! Acho que acerto e acertei quando vejo minhas duas filhas adultas, terem se tornado mulheres bem resolvidas, sem tabus e independentes. Claro que erro e continuarei errando como toda mãe. Agora tenho um pequenino de quase dois anos, o Antonio. Educar um menino está sendo uma novidade, mas estou muito apaixonada pelo processo.

E quando a vez é só sua? O que faz para se agradar? Viajo de imediato! É o que mais gosto de fazer para repor energias e aprender.

O que inveja nos homens? E o que eles precisam aprender com as mulheres? Fazer xixi em pé! (risos). Difícil generalizar.

Você é uma mulher vaidosa? Até que ponto? O suficiente para me cuidar da maneira que gosto. Não abro mão da minha saúde e sou viciada em protetor solar. Também sou à favor de qualquer procedimento que faça bem à autoestima das pessoas. Só não curto exageros!

Para agradar Paloma basta… Um bom vinho e um bom papo.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CULTURA: Galo da Madrugada e de todos os carnavais celebra 40 anos

UM POUCO DE HISTÓRIA - Criado pelo empresário Enéas Freire O Galo da Madrugada desfilou como bloco pela primeira vez no sábado, dia 23 de janeiro de 1978, às 5h da manhã, saindo da sua sede na Rua Padre Floriano, 43, no bairro de São José. E pensar que o bloco que entrou para o Livro dos Recordes, o Guiness Book em 1995, por reunir cerca de um milhão de pessoas pelas ruas e avenidas da cidade arrastou somente 75 foliões em seu primeiro desfile. De lá pra cá a cada ano mais e mais foliões de todos os cantos do Brasil e também do mundo acordam cedo pra render homenagens ao Galo.

A ideia de sair ao sábado de madrugada se devia ao fato de naquela época não ser feriado, daí a festa tinha de acontecer antes do comércio do Centro abrir. Agora todos param para ver o Galo passar e a saída dos trios e carros alegóricos acontece das 10h da manhã. Quando criou o Galo, Enéas Freire tinha como objetivo resgatar a folia de rua e a criatividade dos pernambucanos que estava sendo deixada de lado pelos grandes bailes de clube da época. Não sabia ele que ali, naquele dia, nascia uma dos grandes ícones do carnaval de Pernambuco e que até hoje é exatamente o que ele queria que fosse: um espaço onde a criatividade, a irreverência e a alegria reinam a céu aberto nas ruas do centro do Recife.

Foi em 1979 quando aconteceu a 1ª Noite dos Estandartes no Clube Português que o Galo ganhou seu estandarte e hino oficial criado por Mauro Freire e pelo compositor José Mário Chaves. Com o tempo e o aumento dos foliões as orquestras passaram a tocar em cima de caminhões para propagar mais e melhor o som, mas ainda assim não era suficiente e os trios elétricos passaram a fazer parte do Galo da Madrugada.


GANHANDO AS RUAS HOMENAGEANDO FRANCISCO JOSÉ EM 2018

Com o tema “Galo 40 anos, Promovendo o Folclore e a Cultura de Pernambuco”, o bloco sairá às ruas em 10 de fevereiro de 2018. “Esse ano estamos comemorando 40 anos de uma festa que resgatou o ritmo pernambucano. O Galo da Madrugada promoveu uma verdadeira revitalização para o carnaval de rua, mantendo-se fiel aos seus objetivos, fortalecendo o folclore e a cultura e, principalmente, crescendo sem perder a originalidade. Nossa bandeira é sempre defender o frevo, o folclore e a cultura pernambucanos”, explica o presidente do Galo da Madrugada, Rômulo Meneses. 

É na Ponte Duarte Coelho que fica o boneco do Galo, medindo 35 metros de altura que dá pra ser visto de longe e é o grande símbolo da festa. Durante o trajeto há camarotes privativos e improvisados em varandas e sacadas, afinal todos querem ver o Galo passar. No chão, milhares de pessoas seguem os trios e orquestras durante todo o dia. E neste ano Para o desfile, muitas surpresas são esperadas. O folião poderá reviver os carnavais passados, além de relembrar grandes compositores que fomentaram a cultura e contribuíram para que o frevo fosse perpetuado. 

O Galo fará, ainda, uma homenagem especial ao repórter Francisco José, que também celebrará, em 2018, 40 anos de cobertura dos desfiles do Galo da Madrugada. Para comemorar os 40 anos, o clube irá promover, ainda, algumas outras ações que serão realizadas ao longo do de 2018. “O que podemos adiantar, é que será lançado um CD comemorativo onde convidamos alguns compositores e artistas que fazem parte da história da agremiação para compor e/ou gravar músicas para celebrar os 40 anos do bloco, estamos programando outras atividades como:  lançamento de dois livros, lançamento de uma exposição itinerante e a produção de um filme documentário”, conclui Rômulo.


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DESTINO: Uma aventura pelos Balcãs, da Croácia até a Sérvia

Palco recente de um dos piores conflitos da atualidade a região dos Balcãs se abre novamente aos turistas em um roteiro que combina paisagens maravilhosas e experiências inesquecíveis.

Comecei minha cruzada pelos Balcãs inesperadamente por Dubrovnik no sul da Croácia. Por conta de problemas com o visto Sérvio tive que entrar pela Croácia e resolver minha situação na embaixada em Podegorica, capital de Montenegro, antes de entrar na Sérvia. Os transtornos da viagem foram rapidamente compensados pela beleza da cidade. Dubrovnik é seguramente uma das cidades mais bonitas que eu já estive. Toda fortificada e localizada na beira do mar esmeralda croata a cidade guarda uma aula de história em suas vielas medievais. Dar a volta na antiga muralha é um dos grandes atrativos da cidade e é difícil fazer o percurso sem tirar uma centena de fotos. No final da tarde a melhor pedida é subir de teleférico para a parte mais alta da cidade onde fica as ruínas de uma antiga fortaleza hoje símbolo da resistência da cidade no bombardeio de 1991. Além das marcas da guerra o forte tem hoje uma exposição interessante sobre os dias de guerra. O tom da apresentação expondo a versão croata dos fatos mostra como as feridas da guerra recente continuam abertas. Aproveite a vista maravilhosa do local e o por do sol no mar com a cidade antiga de fundo.
De Dubrovnik segui em carro rumo ao sul a Montenegro. Para quem vêm da Croácia as paisagens mais incríveis da costa de Montenegro estão próximas a fronteira. O litoral abre como um fiorde ao sul do país revelando praias maravilhosas e cidades históricas pitorescas. A primeira delas é Perast que além de um vilarejo medieval bem preservado tem duas pequenas ilhas com antigos mosteiros. A vista do alto da torre da igreja é maravilhosa e o passeio fica completo com um almoço de frutos do mar a beira mar. Seguindo pela estrada a próxima cidade que vale uma visita com pernoite é Kotor. Aqui encontrei uns amigos e com a ajuda de uma agencia de viagens na praça principal alugamos um apartamento dentro da cidade antiga. Kotor tem como atrativo além da vila medieval cercada por muros uma fortaleza militar que sobe 2 km morro acima dando a cidade uma linha extra de muralha. A subida até a fortaleza é dura e tem que ser feita no final da tarde com o sol mais baixo. O esforço é compensado com o visual maravilhoso da cidade e do Fiorde. À noite Kotor ferve no verão com vários pequenos bares em suas ruelas e becos.

No dia seguinte seguimos viagem pela costa de Montenegro até Budva que seria nossa base para explorar a costa desse belo país. Budva tem um bonito centro histórico também com sua cidade murada, mas predomina no cenário a cidade moderna e a praia de Becici com bons resorts para quem quer curtir uns dias de praia no mar Adriático. O balneário é bastante turístico com grande parte dos turistas vindo da Sérvia para passar o verão. Por conta disso a cidade tem uma vida noturna interessante, mas já foi bem descaracterizada pelo turismo de massa. 

Após alguns dias de praia curtindo o belo litoral Montenegrino subimos a serra rumo à fronteira com a Sérvia. O trajeto até Belgrado não é longo em distancia (cerca de 500 km), mas as pequenas estradas que atravessam as montanhas tornam a viagem lenta e demorada. O visual no caminho é espetacular principalmente cruzando as altas montanhas que dividem os dois países. Se prepare para encarar uma fila de até 4 horas para passar pela imigração Sérvia. Doze horas depois que deixamos Budva chegávamos ao povoado de Guca no interior da Sérvia onde ficaríamos alguns dias para o tradicional festival de trompetas que acontece todos os anos em Agosto. Por uma semana bandas de
trompetas de todo o país e até internacionais vem a esse pequeno vilarejo competir no festival.
A festa reúne milhares de pessoas que transformam Guca em uma versão Sérvia do Festival de Woodstock com pessoas acampando em todo o espaço disponível nos pastos ao redor da cidade. Através da agencia oficial do evento (guca.com) nos hospedamos em uma casa de uma família local que logo nos recebeu com uma tradicional dose de Raki e o café forte no estilo turco. As ruas estavam lotadas de barracas que vendiam o tradicional porco e carneiro no rolete, bandeiras e camisetas nacionalistas Servias e todo o tipo de souvenir da festa. Por todos os lados bandas desfilavam tocando para qualquer grupo que abanasse alguma nota de Dinar Sérvio. A folia se concentra na arena onde as bandas que estão competindo se apresentam, na rua principal da cidade vários bares e restaurantes ficam lotados. Outro ponto de concentração é a praça da vitória que tem uma estátua de um trompetista. Como manda a tradição todos escalam a estátua para tirar uma foto de preferência abanando a bandeira Sérvia. Para curtir bem o festival apreenda duas palavras essenciais em Sérvio: Pivo (cerveja em Sérvio) vai ser usada ao longo de toda a tarde e a noite, e Voda (água em Sérvio) será essencial para a sua sobrevivência na manhã seguinte.

Depois da minha primeira noite fui desesperado por uma água logo que acordei e os sinais que fiz me renderam uma “Pivô” quente logo de manhã. Outra dica fundamental é que vegetarianos devem passar longe de Guca. As refeições variam de porco e carneiro à kebabs e linguiças. O único vegetal que passou pelos nossos pratos quando alguém pediu uma salada foi um pouco de repolho. Eu presenciei o desespero de um casal holandês que com muito custo conseguiu em uma das barracas que o churrasqueiro prepara-se um peito de frango grelhado que antes de ir para dentro do pão foi batizado com o molhinho do leitão assado. Curta a música e a alegria das ruas com os simpáticos locais. São poucos os estrangeiros que chegam a Guca então é comum que os locais ofereçam Raki ou Pivo aos turistas em gesto de confraternização.
Terminado o fim de semana de festa seguimos para Belgrado. A hoje alegre capital da Sérvia é testemunha da história de muitas guerras envolvendo o país. Da fortaleza medieval que marca seu centro históricos aos prédios em ruínas bombardeados pela Otan em 98 a cidade pode ser facilmente conhecida a pé. Além dos atrativos diurnos Belgrado guarda o melhor para a noite. Com o tamanho de Campinas Belgrado surpreende com uma vida noturna de dar inveja a qualquer metrópole. No verão grande parte dos restaurantes, bares e casas noturnas se concentram na beira do Rio Danúbio em balsas flutuantes.

Comece com um jantar na cidade histórica de Zenum que fica a 18 km de Belgrado e foi no passado o limite do império Austro-Hungaro enquanto Belgrado estava sob o domínio Otomano. A cidade histórica bem preservada tem ótimos restaurantes à beira do rio. Depois da meia noite siga para as balsas em frente ao antigo Hotel Iugoslavia que fica nas proximidades. Invista em uma visita ao Blay Watch que mistura música pop internacional com shows de cantores Sérvios que empolgam os locais. Por conta da vida noturna vale ficar na cidade pelo menos quatro dias. Procure pelo Hotel Mr President, um excelente hotel butique com ótimo custo benefício. Além dos quartos confortáveis o hotel oferece internet, jantar e ligações internacionais grátis.

Terminamos nossa aventura nos Balcãs em Belgrado com a certeza que voltaríamos para conhecer a Bósnia, Macêdonia e o restante da Croácia. Seguramente a região tem assunto para meses de viagem e muitas matérias.

Texto e fotos: Fernando Russo
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