sábado, 26 de agosto de 2017

CAPA: Marcos Pitombo saindo da zona de conforto e fazendo arte

O ator Marcos Pitombo é um ótimo exemplo de que sair de sua zona de conforto pode resultar em experiências de sucesso que podem definir quem somos. O cara largou tudo em seu início de carreira e foi morar na China onde trabalhou como modelo. Já de volta ao Brasil, cursando Odontologia, se arriscou no que amava fazer e foi encarar o teatro. Tempos depois fazia sua estreia na TV e de lá não parou mais. Teatro, novelas e em breve cinema. E a realização de que arriscar fez com que ele encontrasse sua realização profissional. Conheça um pouco da trajetória desse determinado (e de bem com a vida) ator, que ainda vai dar muito o que falar. 

Marcos você parece ser um cara tranquilão e de bem com a vida. É isso mesmo? Acredito que sim. Tento levar uma vida baseada em hábitos saudáveis, estar com os amigos e enxergar a vida com leveza. Claro que os problemas existem só que a melhor forma de encará-los é sempre com otimismo, bom humor e sorriso no rosto, ao invés de amargura ou derrotismo. 


O que te tira do rumo? Te desestabiliza. Falta de educação, arrogância e falta de caráter de algumas pessoas já me desestabilizaram bastante ao longo da vida, mas hoje entendo que as pessoas tem as suas limitações, e a maturidade me faz responder com amor àquele que te ataca com desamor. É um exercício constante mas é também libertador. Já a nossa política atualmente tem me tirado bastante do rumo, estamos vivendo tempos complicados mas ainda acredito que o povo, unido, vai encontrar uma saída. 

Morar um bom tempo na Ásia em geral foi uma forma de te tirar da zona de conforto também (fora trabalho)? Sim, foi um grande desafio profissional e acima de tudo, pessoal. Mudar pra outro continente, de hábitos completamente diferentes, uma língua dificílima foi assustador no início, mas me provou que sim, era possível ser feliz fora da zona de conforto. Não foi fácil, mas faria tudo de novo.

Que lembranças traz dessa época e o que foi mais difícil? A poluição na China é assustadora, tinham dias que não se conseguia ver o céu por conta da nuvem de fumaça. Fazer mercado também era uma aventura porque como você vai comprar algo que você não consegue ler pela embalagem o que tem dentro? (risos) E pedir informação na rua também era uma missão porque naquela época era difícil encontrar um chinês adulto que falasse inglês, e então na maioria das vezes eu tinha que pedir informação a adolescentes e crianças, pois a chance de conseguir me comunicar era maior. Mas acho que a saudade de casa, família, dos amigos era o que mais me incomodava.

Depois dessa experiência você entrou na Globo para fazer Malhação (2006) e depois engatou vários trabalhos seguidos na Record. Como foi esse início como ator? Na verdade eu fazia teatro amador em paralelo à faculdade de Odonto na UFRJ, e era uma loucura pois nos dias de semana a minha rotina era a clínica e nos fins de semana, o teatro. Com o convite para a “Malhação” tive que fazer a escolha do que realmente queria fazer da minha vida e foi um período bem complicado pois abrir mão de uma carreira estável na Odonto por um sonho não parecia a atitude mais sensata, mas segui meu coração, e a sequência de trabalhos bem sucedidos aos poucos me fizeram enxergar que estava no caminho certo.

A temporada na Record serviu de escola para o ator que você é hoje? Que maiores desafios encontrou pelo caminho? Acredito que o ator, além da sua formação acadêmica (que é fundamental) também cresce muito com seus trabalhos, suas experiências profissionais e os encontros com os parceiros de trabalho. Fui sempre muito feliz nas produções em que trabalhei, pude estar em contato com atores, atrizes e diretores que sempre admirei e vê-los no dia a dia do set de gravação era um aprendizado constante. 






Seu mais recente trabalho foi na novela “Haja Coração”, na Globo, ano passado. Como foi participar desse trabalho e voltar a Globo? Foi um trabalho de muita felicidade, era uma novela divertida, com uma coxia animada, um texto leve do Daniel Ortiz, uma direção super generosa do Fred Mayrink e sua equipe e com uma parceira de cena que levei pra vida como amiga que foi a Sabrina Petraglia. Acabou que a gente tinha tanto prazer em ir gravar que acho que isso passou para os personagens e nossa história acabou sendo um grande sucesso, o que é o sonho de todo artista. E como na história a gente falava de um amor entre em um jovem e uma portadora de deficiência física, me permitiu uma troca com pessoas incríveis, conhecer histórias lindas de vida e superação e momentos de muita alegria. 

Da época que trabalhou como modelo o que levou para sua vida? É um cara vaidoso? Sempre cuidei da saúde e tive hábitos saudáveis e isso veio da minha mãe (Eliane Magalhães) que é professora de educação física. Sempre soube da importância de uma boa alimentação, de como uma atividade física faz bem não só pro corpo como para cabeça. E acaba que ter uma vida disciplinada não é um sacrifício e sim uma escolha leve de vida. Acho que dá vida de modelo veio o gosto de roupas com um bom corte e peças que tenham mais atitude e que mostrem um pouco da minha personalidade. Acredito que moda é também uma forma de você se comunicar com o mundo. 

Em relação às mulheres até onde vai o limite da vaidade? Eu acho que ninguém pode ficar refém da vaidade. A mulher querer ficar bonita pra si e se sentir bem é algo extremamente legítimo e nada fútil. Quer tingir o cabelo? Ou usar uma roupa mais impactante, e até mesmo realizar uma reparação estética, por que não?! São artifícios que hoje em dia temos e que estão a alcance de todos, e se for possível fazer, sou extremamente a favor. Mas acho que a ditadura da beleza, uma cobrança por estar impecável, querer encontrar o elixir da juventude é uma briga perdida e uma grande besteira, e que leva a um desajuste emocional, uma sensação de fracasso. Acho que q melhor dica de beleza e se sentir bem na pele que a gente tem e um sorriso no rosto. Aí a gente fica bem mais bonito e radiante e o mundo sorri pra gente também.




Que qualidades mais admira em uma mulher? E em você? O bom humor, um bom papo e leveza na vida. Com essas qualidades os tempos passam de forma mais prazerosa e os momentos sempre acabam ficando na memória da melhor forma. E acho essas são as minhas grandes qualidades também.

O que curte fazer para relaxar? Estar com os amigos, com meus cachorros, fazer atividade física e também me jogar no sofá para ficar vendo seriado. 

Sempre em forma, como cuida do corpo? Qual sua rotina? Tento ter uma alimentação equilibrada, prefiro sempre os alimentos orgânicos, como pouquíssima carne vermelha (só uma vez por semana) e tento praticar exercícios regularmente. Gosto de me consultar com nutrólogos e ter acompanhamento de profissionais da áreas de educação física para ter uma melhor rendimento nas minhas atividades. E procuro sempre fazer uma atividade nova, tentar fazer algo que nunca fiz, me desafiar em aprender algo que até então não domino. Ultimamente tenho me aventurando na capoeira e tem sido uma experiência muito exaustiva, revigorante é muito prazerosa. 

Como foi participar desse ensaio que envolve boas pinceladas de tintas coloridas? Gosto de ensaios fotográficos que saem do óbvio e nesse caso além da questão artística da pintura, tinha muita atitude e personalidade na hora das fotos. (Que é uma marca do Beto Gatti, um fotógrafo que sempre admirei) Foi um dia bem divertido e a cada foto ficava mais feliz com resultado.

O que vem por aí nos projetos de trabalho? Agora no fim do ano filmo um longa-metragem intitulado "A cabeça de Gumercino Saraiva" que é um filme de época passado ao final da Revolução gaúcha de 1893 e que será rodado todo na região dos pampas do Rio grande do sul. E no ano que vem já estou comprometido com 2 produções de teatro.