sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CAPA: À moda do Fogaça - Muito rock n´roll, estilo e sabor na sua cozinha


ogaça não se define. Talvez ninguém se defina. Mas ele, com certeza, menos ainda. Roqueiro por conceito, esportista por prazer, chef por destino, talento e vontade, ele arrasa na culinária e como jurado no Masterchef. É pai dedicado e amoroso e se inspira no Brasil de muitos sabores para nos presentear com as melhores delícias gastronômicas em seus restaurantes e pub. Seriedade é ingrediente principal em tudo o que Fogaça faz, talvez daí sair tudo tão bem feito. Bom apetite com essa entrevista de dar água na boca.

Talvez pelo visual e para os participantes do Masterchef você tenha fama de bravo, mas quem o conhece de verdade sabe que você é um cara gentil, atencioso e muito amigável. É importante manter a fama de “mau” e surpreender com a “doçura”? Eu vejo como ser “sério”, temos que ter seriedade e disciplina no trabalho e o meu jeito acaba passando que eu sou “mau”, mas na verdade é seriedade. Quando estou em momentos de lazer, sou essa pessoa que descreveu, sou verdadeiro, faço com amor tudo que eu gosto e sempre com verdade.

Chef badalado, jurado do Masterchef, cantor em banda de rock, empreendedor, skatista.... Você sempre foi assim multitarefas? Sim, sempre fui.

Foi uma criança hiperativa? Sim. Jogava bola, bicicleta, fazia esportes, sempre fui hiperativo.

Com tantos predicados, como se definiria? Como tenho muitos predicados, fica difícil me definir em uma palavra, mas como disse acima, sou multitarefas. 


O que te dá mais prazer? Sinto prazer em várias coisas. Cozinhar, skate, fazer show, participar do MC, participar das ações sociais com os chefs especiais. Amo andar de moto, sou embaixador da Triumph e, estar com meus filhos sempre é um imenso prazer.

Você começou sua vida profissional como bancário e em um “erro de percurso” virou chef renomado. Faria algo diferente? Acho que tudo acontece da forma que tem que acontecer, não faria nada diferente, pois tive aprendizado em tudo que eu fiz. 

O que contribuiu para você ter essa mudança? Mudei quando eu vi que realmente gostava de cozinhar e fui atrás do meu sonho.

E como começou a descobrir que tinha intimidade com as panelas? Morava com minha irmã, mas ela estava quase se casando com um cara que ela conheceu, então não ficava muito em casa. Eu tinha que comer, sempre gostei de comer bem, mas comida congelada uma hora enjoa. Então, comecei a cozinhar. Ligava pra minha avó pra pedir dicas de cozinha, como fazer um bife, como fazer uma massa. Um dia minha mãe me ligou. Sabendo que eu costumava ligar pra minha avó ela me disse: “até quando você vai ficar trabalhando no banco e sendo infeliz”? Eu parei pra pensar um pouco nisso. No começo eu meio que relutei. Nessa fase eu já havia trancado a matrícula em Comércio Exterior. Descobri um curso novo de Chef de cozinha na FMU e resolvi fazer.

Ser chef de cozinha foi uma meta ou uma consequência? Os dois, e com muito suor.

Hoje em dia você é um dos chefs mais cool no Brasil. Como você vê isso e como avalia sua trajetória até aqui? Acho bacana, e minha trajetória até aqui, foi de muita ralação, muita disciplina, seriedade e aprendizado.



Atualmente você está com três restaurantes, Jamille, Admiral´s Place e Sal, e um pub, Cão Veio. Cada um mostra uma inspiração sua na gastronomia? Sim, cada um é de uma forma diferente. Todos os negócios possuem suas identidades muito bem definidas. O Sal é onde eu coloco meus pratos, faço mais experiências. É um espaço acolhedor, com meia luz. Ideal para um almoço de negócios, um encontro a dois. Quando tem fila de espera, vão para o Admiral´s enquanto a mesa não está pronta. No Admiral´s temos uma extensa carta de whiskys, vinhos, drinks. O Cão Véio é um bar mais descolado, é um pub. É uma pegada mais de rock, com decorações de cães. No Cão Véio a gente oferece porções, lanches, uma carta com aproximadamente 40 cervejas. É um espaço mais para happy hour, encontro de amigos. Jamile tem uma pegada mais contemporânea, mais moderna, seguindo a mesma linha de prato autoral que tem no Sal.

Seria cada um para tipos de públicos diferentes? Não acho que para públicos e sim para paladares diferentes.

Restaurante bom no Brasil ainda é muito caro? Como você (cliente, chef e empresário) observa isso? Eu acredito na comida de qualidade como um direito de todos. Comida não pode ser considerada um artigo de luxo. É uma necessidade. Nascemos comendo e morremos comendo. Comer é fundamental. Elaboramos e levamos diferentes tipos de comida e bebida. Comida de qualidade é algo que todos devem ter acesso.



A crítica gastronômica no Brasil é boa e justa? Acho justa.

Que regiões do Brasil e que ingredientes te inspiram mais na gastronomia? A culinária brasileira é muito rica em sabores. Temos um território imenso, são diferentes culturas dentro de um país. É como se fossem vários países dentro de um só. Costumo dizer que não estamos atrás de culinários. Tem muita coisa na Amazônia que ainda não conhecemos. Tenho uma sobremesa no Sal que é o pudim de Cumaru, uma semente da Amazônia. Esse é um bom exemplo. O que me mantém vidrado na cozinha é a possibilidade de se misturar diferentes ingredientes para se obter novos sabores. O Brasil, por seu tamanho, torna isso possível. Aí vai da criatividade do cozinheiro viajar no desenvolvimento do prato.

Falando em Masterchef... depois de algumas temporadas como você avalia os participantes amadores e profissionais? O nível está melhorando? O nível vem crescendo a cada temporada e isso é muito bacana de ver.

Ao longo dessas temporadas você já deve ter se surpreendido positiva e negativamente. Dá para citar alguns momentos marcantes dentro do programa? Tiveram vários momentos que marcaram. Quando temos que eliminar alguém que é um talento, isso é algo que marca, e as finais são emocionantes, pois fazem uma retrospectiva dos momentos e é bacana de ver. Uma que me lembro, foi na final da primeira temporada com a Elisa, que ela não conseguia abrir uma lata de algum ingrediente e o pai dela foi ajudar e a família junta assistindo, foi bem emocionante, bem legal.




Durante sua trajetória já “sentou na graxa” muitas vezes? Sim, inúmeras vezes. E o quanto isso foi importante para você? Isso tudo traz um grande aprendizado para tudo na vida.

Um lado seu que pouca gente (que acompanha pela TV) não conhece é o roqueiro. Como surgiu essa paixão e que peso tem para você hoje em dia? Meu lifestyle, minha personalidade, minha forma de pensar são totalmente influenciados pelo rock. Tudo que eu faço.

Você é um cara de muito estilo. Como se definiria? Sou rockeiro, motociclista e I...esse é meu estilo. 

É ligado em moda? Gosto de me vestir bem de acordo com o meu estilo.
Prova da vaidade masculina hoje em dia é o número de barbearias que surgiram nos últimos anos. Esse é um universo que você também conhece bem. Acha que é moda ou uma tendência que veio pra ficar? Acho que uma tendência que veio para ficar, sou sócio da The Skull, onde temos a parte de barbearia dentro da loja.

O que te tira do sério? Falta de respeito.

Que significado a tatuagem tem para você? Como começou e o que busca através delas? Cada uma delas tem uma história para contar. Algumas representam fatos fraternos, como o coração, que traz o nome da minha filha mais velha, Olívia, de oito anos. Outras falam muito sobre o homem que sou, um logotipo do In’Omertà 9.15 MC, motoclube do qual participo com ações sociais de gastronomia. A primeira foi um escorpião. Acho natural registrar na pele o que acontece de importante em minha vida e acredito que os desenhos refletem um pouco da minha personalidade. Tudo remete a algo que vivi ou a um período, é por isso que tenho muita coisa relacionada à cozinha, como o fogão que simboliza a abertura do meu primeiro restaurante, o Sal, em 2005.

Uma vez durante o Masterchef você comentou emocionado que gostaria que sua filha sentisse o sabor da sua comida. Como aprendeu a lidar com isso e o que você diria para pais que passam por situação semelhante? Com amor. Tendo amor e dedicação fica menos complicado.





Como é o Fogaça como pai? Ternura e disciplina na dose certa? Sou um pai que educa e dá amor, que mostra e explica, procuro estar sempre presente e fazer diferença na vida deles. Hoje em dia o mundo está complicado, temos informações muito rápidas de tudo, mas tento alertá-los e mostrar o que eu aprendi.

Dentro da cozinha qual o estilo Fogaça de ser? Sou sério, gosto de disciplina, dentro da cozinha não tem brincadeira.

Como agradar seu paladar e os seus ouvidos? Um bom sabor e uma boa música. Comer bem e escutar um som bom.

O que as mulheres não sabem sobre os homens e precisam saber urgente? Não tem essa regra, cada pessoa é de uma forma.

Por fim, o que te encanta nelas? A mulher me encanta por si só.




Fotos Angelo Pastorello
Produção e Estilo Ju Hirschmann e Celso Ieiri
Beleza André Florindo

Agradecimentos: The Skull Concept House (locação) - Rua Mello Alves, 417, (11) 2589-3016 / Ricardo Almeida 11 3887-4114 / Dudalina 11 3064- 3410 / Calvin Klein 11 3062-4191 / Dom Shoes 11 3595- 2552 / Riachuelo 11 2739-1960 / Podepa www.lojapodepa.com.br / The skull  11 2589-3016 / Cavalera 11 3063-5700 / Panerai 11 3152- 6620

CARREIRA: "Ví, vim e venci" - Três histórias de superação e sucesso

Histórias de superação em momentos de crise são sempre inspiradoras e sempre instigantes. Foi o que nos levou a conhecer esses três personagens da vida real, três homens vencedores, daqueles que lutam sem desistir diante das adversidades da vida. Independente de idade, circunstância ou lugar, estes homens são exemplo de garra e determinação. Conheça a história de Leandro Souza, Plínio Marcos e Paulo Victor e veja como eles conseguiram realizar seus sonhos!

O HOMEM QUE ELITIZOU O CHURRASQUINHO DE RUA



Leandro Souza (34), que sonhava em ser piloto de avião, mas após de muitos percalços, virou dono de uma rede de restaurantes e bares, cuja especialidade é o tão famoso, “Churrasquinho de rua”. Filho de um porteiro e de uma faxineira, desde 13 anos de idade trabalhava para ajudar no orçamento da família. Aos 17, entrou para faculdade onde pretendia cursar comunicação social e aos 19 anos teve a oportunidade de ir para os EUA. Com apenas US$ 1.000,00 no bolso e sem falar inglês, chegando lá trabalhou como garçom, guardador de carro, faxineiro e barman. E dividiu um quarto e sala com oito colegas. Tudo isso porque ele precisava juntar dinheiro. 



Com passar do tempo ele conseguiu fazer um curso de inglês e logo em seguida ingressar para o curso de aviação, pois sonhava ser piloto de avião. Foi chamado para trabalhar em uma grande companhia aérea, mas a crise que assolou o mundo em 2009 fez com que Leandro perdesse o emprego. Voltando para o Brasil começou a trabalhar na TAM e com as economias guardadas ele tinha intenção de abrir um restaurante mexicano, com um amigo americano que conheceu nos EUA, mas o amigo não veio para o Brasil conforme combinado.

Nessa época Leandro tinha um amigo que vendia espetos e daí teve a ideia em dar um toque gourmet ao tão famoso churrasquinho de rua, com 50 variedades de espetos. E foi assim que em 2011 ao invés de um restaurante mexicano, surgiu o restaurante “Espetto Carioca”. Hoje um local frequentado por muitos famosos, tais como: como Luan Santana, Sofia Abrahão, entre outros.
Leandro comprou uma casa própria para os pais que são aposentados. Atualmente a marca tem unidades entre RJ, SP e MG e está nos planos abrir futuras unidades de Campinas (SP) onde terá como sócio o cantor Matheus, da dupla sertaneja Matheus & Kuan. 

O PERNAMBUCANO, SIMPÁTICO. “VI, VIM E VENCI!”



Plínio Marcos, veio de Pernambuco para tentar prosperar no Rio de Janeiro. Assim como vários outros, enfrentou dias difíceis, solidão, portas na cara, e hoje é gerente comercial de uma importante cadeia de lojas de dermocosméticos. Quem frequenta os corredores da nova expansão do Barrashopping, (RJ), provavelmente já reparou o buchicho que fica na loja de dermocosméticos ADCOS, uma das mais conhecidas do país. Os famosos produtos da marca, estão entre os mais eficazes, inovadores e indicados pelos dermatologistas. Mas o responsável pelo movimento incomum do local tem nome: Plínio Marcos, gerente comercial da marca há três anos. Nascido interior de Pernambuco veio para o Rio de Janeiro tentar a vida aos 23 anos. Hoje, Plínio coordena uma equipe de vendas com metas audaciosas e está sempre cercado de celebridades, beldades e formadoras de opinião.

Plínio é um workaholic confesso, mas também possui a habilidade social de poucos, que ele mesmo atribui à educação dada pelos avós: “Eu venho de uma família tradicional, que sempre prezou pela educação e o respeito pelo outro. Não sou uma pessoa invasiva. Hoje, conheço pessoas que passei a vida vendo pela TV, mas nem por isso, me acho íntimo delas. Sou muito cauteloso em relação a isso”, diz.




Na infância, Plínio tinha a incumbência de escrever as cartas que os amigos dos seus avós enviavam aos seus filhos que estavam tentando a vida na cidade grande. Foi por ali, que ele começou a ter notícias de um mundo completamente diferente. No início dos anos 90, com o pretexto de fazer um curso de inglês, Plínio passou um mês no Rio de Janeiro, e se apaixonou, “O Rio me abriu portas, vi na cidade muitos desafios. Apesar da saudade e dos momentos de solidão, sentia uma força muito grande que me fazia continuar”, afirma.

Em sua trajetória, Plínio foi Cabo do Exército, caixa de uma grande rede de supermercados, e o primeiro caixa homem da ADCOS. Trabalhando lá por 12 anos, ele queria mais. Por isso, ficava depois do expediente ajudando as funcionárias de vendas e atendimento, com um único objetivo: aprender. E aprendeu. Plínio concilia uma rotina pesada de trabalho, com os eventos badalados da cidade, ao lado de personalidades da alta sociedade carioca. Mas também não abre mão de um bom livro, de um cinema com os amigos e dos seus cuidados de beleza com os produtos que vende.

E quem pensa que Plínio, mesmo com a trajetória vencedora, está realizado, se engana, “Estou muito feliz onde estou, como dermoconsultor, mas minha cabeça não para. Quando eu saio da loja, eu continuo pensando em coisas que podem ser feitas como um diferencial”, afirma.

DE JOGADOR DE FUTEBOL A BAILARINO



A história desse capixaba que sonhava ser jogador de futebol mas encontrou na dança a sua razão de viver, também traz superação e inspiração. Paulo Victor nasceu em Vitória (ES). Filho da manicure Luíza e do motorista Neosvaldo, e um casal de irmãos. Aos 6 anos de idade Luzia sem condições de levar o filho para a escola e outras atividades, ensinou a andar sozinho, “Lembro que me colocou no ônibus a caminho da escola e disse: não posso te levar e buscar todas as vezes filho. Aqui você pega o ônibus, desce aqui etc.", comenta Paulo.

Sempre foi apaixonado por esportes. Jogou bola dos 6 aos 15 anos. Quando entrou na dança de salão aos 14 anos ele ainda conseguia conciliar as duas atividades. Neste período Paulo passou em peneiras para grandes times, mas acabou não sendo selecionado. Desanimado, decidiu que ficaria e dedicaria somente na dança. Participou de vários concursos. Ganhou e perdeu alguns deles, mas a experiência que obteve de tudo foi única. Dançou à bordo de cruzeiros 3 vezes, viajou para o exterior, fez grandes passeios e amizades graças à dança, e aprendeu a dar valor às mudanças que a vida lhe proporcionou.

Ao longo da trajetória participou de vários concursos e trabalhou em duas companhias de danças. Com isso uma consequência, as contusões que quase impediam Paulo Victor de dançar. Mas ele não desanimou. Aos 18 anos entrou no balé com a intenção de ganhar uma bolsa de estudos e estava disposto, “Tinha ido levar minha avó ao médico, enquanto aguardava ela terminar a consulta, entrei na escola (era do lado do hospital) e me informei sobre as aulas”. Ingressou nas danças clássicas, contemporâneas etc. A escola a acolheu. Participou de alguns festivais fora do Espirito Santo. No Festival Passo de Arte em Vitória (ES), Paulo ganhou como melhor bailarino de 2013, além do prêmio em dinheiro.




Neste festival, recebeu um convite para fazer parte de uma companhia de jazz contemporâneo em São Paulo. Entrou como bailarino estagiário e em seguida tornou efetivo. Ficou por 4 anos e meio. Foi trabalhar durante 6 meses numa companhia de danças brasileiras na Bahia, onde foi professor, ensaiador, coreógrafo e bailarino. Voltando para Vitória machucado e prestes a fazer um tratamento para melhorá-los. Ficou em recuperação dois meses.

Voltou para São Paulo recomeçando do zero. Muitas dificuldades, mas com muito amor à arte. Deu aulas de jazz e fazia vários trabalhos de freelancer que aparecia, até mesmo animava festas infantis fazendo vários personagens. Machucou o tornozelo, e ficou bem inchado por 4 meses. Foi o processo mais delicado do Paulo em São Paulo, já que ficou sem "trabalho" (não conseguia dançar), sem dinheiro e machucado. Foram meses bem turbulentos em sua vida.

Ficou sabendo por um acaso uma audição para o DANCING BRASIL. Ele não tinha material, só selfies e vídeos de dança. Passou para a audição. Dois dias antes do teste final, o tornozelo melhorou. Paulo fez o teste com a convicção de que ia passar e passou! O DANCING BRASIL foi um divisor de águas em vida deste quase jogador, “Entrei uma criança e hoje me tornei um homem. Essa experiência foi única. Fiz várias amizades, conheci pessoas e profissionais incríveis. Sou grato eternamente por tudo”.


Fotos Janderson Pires (Leandro Souza)
Foto Carolina Ayrão (Plínio Marcos)
Foto Mi Garcia (Paulo Victor)
Agradecimento Welberson Soares (colaboração)