segunda-feira, 16 de outubro de 2017

FOTOGRAFIA: O amor e as mulheres de Shakespeare

Os amores e tragédias de Shakespeare sempre renderam filmes, peças e inspiração para diversas expressões artísticas e culturais ao longo do tempo. Mesmo sendo obras tão antigas ainda servem como referência a criações atuais. Como a nova exposição do fotógrafo carioca Sergio Santoian (um velho parceiro da MENSCH que volta com carga total), juntamente com a fotógrafa Cintia Orth, que trazem novas inspirações dentro do tema Shakespeare.

Se observarmos as obras de Shakespeare, amor e morte são impossíveis de fato, mas, de direito, são aquilo que mobiliza a vida, mantendo o desejo vivo. Em Romeu e Julieta (1596), Shakespeare trata desse amor impossível e de como esses dois jovens, por intermédio dessa impossibilidade, se mantêm vivos enquanto desejo.

Já em Otelo (1604), Shakespeare nos apresenta Iago, talvez o personagem mais ardiloso de todas as suas peças. Nesse caso, é a impossibilidade de amar de Iago, que é vingativo e quer destruir Otelo por sentir-se preterido, que revela como Iago não sabe o que é viver. Ao se deixar levar pelas artimanhas de Iago, Otelo acaba assassinando sua amada, Desdêmona.

Em Hamlet (1601), Ofélia, ao se encontrar em um desespero trágico com a morte do pai e a impossibilidade do amor de Hamlet, torna a loucura a única saída possível para sua vida. E em Macbeth (1607), o amor e o poder são igualmente fortes na personagem Lady Macbeth. Sua ambição a leva à conquista do poder e a uma influência sobre o marido. Ao agir e reagir, enlouquecendo como forma de encarar os acontecimentos na sua vida, sem negá-los, ela acaba enfrentando a morte. E, por estar submetida à lei do desejo, pode morrer.

POR QUE SHAKESPEARE HOJE - AINDA?

Após quatro séculos da morte de Shakespeare, é incontestável a sua contemporaneidade. Ao explorar os temas da condição humana, esse autor nos revela o espetáculo de tramas, os labirintos da alma, e nos aponta questões sobre a contraditória essência humana. Ao construir histórias, nem sempre originais, sobre amor, política, relacionamentos humanos, cobiça, etc., Shakespeare não nos conta somente um enredo, ele põe em questão o que é viver.

Shakespeare construiu personagens cheios de contradições, que carregam a consequência dos seus atos e estão dispostos a enfrentar o seu destino. É a própria vida que se apresenta na inconstância dos sentimentos, na oposição entre criação e destruição, amor e poder, sofrimento e alegria. Razão e emoção são inseparáveis nos seres humanos. Não são deuses que orientam esses personagens, eles são de carne e osso, são homens vivos, vítimas e algozes, que têm medo. Mas não é o medo que determina as suas escolhas, e sim o desejo. Eles estão sempre em posição de agir, tomados por forças igualmente poderosas que podem puxá-los para um lado ou para o outro, e seja qual for o caminho, ele será sem volta. Mesmo os atos mais terríveis ocorrem por meio da escolha humana. Os personagens constroem e vivem o seu destino.

O objetivo da exposição é traçar um paralelo entre fotografia e teatro. Para isso, cada um dos fotógrafos escolheu uma atriz que dará vida as quatro personagens Shakesperianas. Assim, teremos uma exposição com dois fotógrafos, duas atrizes, dois olhares, duas interpretações, quatro personagens.

As atrizes escolhidas são: Júlia Foti por Sergio Santoian (loira) e Joana Mendes por Cintia Orth, além da participação do ator Bruno Lopes como Romeu. Jonathan Azevedo



SERVIÇO: Abertura: 01 de novembro as 19h
Até 30 de novembro, de terça a sábado das 16h às 21h
Solar de Botafogo (RJ)