segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

CINEMA: Os bastidores de "1817, a Revolução Esquecida"

Para a diretora Tizuka Yamasaki, o mais importante é filmar grandes histórias, e quando o filme traz um projeto histórico por trás, isso a deixa ainda mais realizada. Foi assim com seu novo projeto “1817 – A Revolução Esquecida”, um docu-drama baseado no livro “A Noiva da Revolução”, de Paulo Santos, que conta o romance vivido por Domingos José Martins, principal líder da revolução, e Maria Teodora da Costa, filha de ricos comerciantes portugueses na época, cujo casamento tornou-se o símbolo do bicentenário da revolução de 1817, um dos mais importantes momentos históricos de Pernambuco. O filme tem previsão de estreia pela TV Escola. Mas, enquanto isso, pudemos conferir em 1ª mão os bastidores desse momento histórico no Brasil que ficou esquecido.

Nos papéis principais, o ator Bruno Ferrari como Domingos, e a atriz Klara Castanho como Maria Teodora. O elenco conta ainda com 24 atores pernambucanos, além de 170 figurantes. O paraibano Paulo Vieira interpreta o comandante Leão Coroado, que matou com golpes de espada o brigadeiro Barbosa de Castro (Walmir Chagas). E o pernambucano Domingos Antônio  interpreta o General Domingo Teotonio. Neste projeto de 1817, Tizuka dividiu a direção com o Ricardo Favilla - que também foi o produtor. “Temos uma parceria muito particular já há algum tempo. Isso inclui a gestação de projetos conjuntos, passando pela procura dos temas que nos interessam, as pesquisas e a discussão da linguagem e da estética utilizada na abordagem destes temas nos roteiros de diversos produtos audiovisuais,- Filmes, Series ou Programas de TV que desenvolvemos juntos, como é o caso do 1817 - A Revolução Esquecida”, comenta Ricardo. 



Para o ator Bruno Ferrari, o projeto foi uma grata surpresa: “Desde pequeno, ouço muito sobre a inconfidência mineira e essa de Pernambuco, que foi uma revolução muito maior, e que até conquistou a independência por um período, e não é falada. Ainda existem alguns lugares no Recife que marcam essa luta, mas boa parte foi destruída pelos portugueses. Gosto muito do título, 1817- A Revolução Esquecida”.Eles realmente fizeram de tudo para apagá-la da história.” Para Tizuka, a surpresa também veio do apoio que recebeu. Comenta: “quando chegamos em Pernambuco pra preparar o "1817", fomos surpreendidos por todos querendo ajudar, orgulhosos de sua Revolução, desde populares, intelectuais, historiadores, como também o governo do Estado e da Prefeitura de Recife, Casa militar e sua bela cavalaria  e grupos de artistas da cultura popular, como Maracatu Leão Coroado, Literatrupe, côco dos pretos. Via nossa parceira Monica Silveira e, particularmente, os técnicos de cinema e atores pernambucanos - além de duas pessoas a quem admiro e que não mediram esforços pra colaborar: o ator Irandhir Santos e o cineasta Claudio Assis com sua equipe. Foi muito bom ter esse apoio efetivo ou afetivo. Essa generosidade pernambucana estará impressa na tela.”


Resgatar esse fato histórico da história de Pernambuco tem um significado especial para você? Seria como uma “prestação de serviço” à população para conhecer um pouco mais da história nacional? Claro! Eu e milhões de brasileiros desconhecíamos este momento tão importante da história do Brasil.  Com o nosso docu-drama, essa lacuna será preenchida. Nosso papel como cineasta é revelar aquilo que foi apagado da história oficial. Como brasileira, me sinto orgulhosa da bravura dos pernambucanos e dos nordestinos que não aceitaram ser subjugados pela exploração fiscal e arrogância dos colonizadores da época. Esses revolucionários deram a vida pela liberdade de sua pátria!

O que é mais difícil em um projeto como esse? Como você percebe isso? Buscar investimentos sempre foi a tarefa mais difícil. Quando a TV Escola inaugura com o nosso filme a série "História", ela e a MEC abrem portas importantíssimas aos estudantes e público em geral, oferecendo o acesso à informação, a reflexão, a recuperação da autoestima do brasileiro. Devemos aplaudir esse tipo de iniciativa!

Agrada mais contar histórias reais do que fictícias? Ou tanto faz? Tem algum filme inédito a ser lançado? Me agrada filmar! (risos) Uma história real é também uma ficção, porque filmado, ela vem com a interpretação do cineasta. 
Estou com um filme chamado “Encantados” - que me é particularmente querido. É um romance na adolescência de Zeneida Lima. Trata-se de uma protagonista da Ilha do Marajó, muito especial, porque ela ouve, vê, e sabe de coisas que as pessoas comuns não têm acesso. O filme é lindo, premiado e estará nos cinemas em outubro, com lançamento da Riofilme.