quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ROTEIRO: Uma parada no tempo: vivendo Paraty

A primeira coisa que vem à cabeça quando se chega ao Centro Histórico da charmosa Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, é: a vida parou no tempo. No melhor sentido. E é bem isso mesmo. É considerado pela Unesco como o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso e também Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN. Mais recentemente, a Unesco ainda reconheceu a cidade como uma das mais criativas do Brasil, passando a integrar a Rede de Cidades Criativas da ONU para a Educação por conta da sua gastronomia. Vejam só: nem só de praias, lindas por sinal, vive a bucólica Paraty. 

Se sua passagem por lá for curta, anota umas dicas must do, tem coisa que não dá para deixar de lado. O conjunto de praias de Trindade, a meia hora do Centro, é parada obrigatória para repor a melanina e limpar a vista com aquela paisagem estonteante de mar e montanha que só o Rio te dá de presente. Vale um dia inteirinho sob o sol. 

Dispense o salto alto e as sandálias de plataforma. Viver plenamente Paraty implica também em se despojar e entrar no tempo que corre mais devagar naquelas bandas. Todo o centrinho é feito de ruas com pedras agigantadas, desniveladas, conhecidas como pé de moleque. É prudente abusar das Havaianas e rasteiras. Leve a câmera fotográfica e perca umas boas horas fotografando o casario colorido que é marca registrada do conjunto arquitetônico colonial, com fachadas que são herança da maçonaria. Com sorte, em dias de lua cheia, você consegue presenciar algumas ruas sendo invadidas pela maré. É um belo espetáculo para turista nenhum botar defeito. 
Ateliês, lojinhas e muitos restaurantes hoje ocupam a maioria das casas históricas. A Casa da Cultura é o epicentro de muitos dos eventos artísticos. Paraty carrega fortes influências portuguesas, sobretudo no quesito religioso, e, somente no centro, há 4 igrejas, cada uma dedicada a diferentes camadas da população, à época: senhoras integrantes da nobreza, escravos, homens pardos e libertos. Até os dias de hoje, as celebrações católicas integram o calendário oficial do município. Não dispense um dos inúmeros passeios de barco pelo conjunto de ilhas da região. Barcos partem o dia inteiro do porto, que fica a alguns passos do Centro Histórico. 



ROTEIRO GASTRONÔMICO

Não há dieta que resista aos encontros frequentes com os tradicionais carrinhos de guloseimas parados em várias ruas de Paraty. Vendedores anunciam cocada, bolo de mandioca, quindins e outras tantas “gordices”, que caem na medida com um cafezinho coado. Aliás, quando o assunto é gastronomia, o lugar não decepciona. São tantas as opções, para todos os bolsos, que é difícil escolher. Mas uma curiosidade antiga me levou direto ao Banana da Terra, restaurante de cozinha brasileira pilotado pela chef Ana Bueno. E se valer uma dica, não deixe de conhecer a casa. Natural de Paraty, Ana é uma figura delicada, das mais talentosas da gastronomia brasileira. Um jantar em sua casa é um presente para se dar. Das lembranças gustativas mais marcantes é a barriga de porco com purê de abacaxi e farofinha crocante, e a combinação de indescritível simplicidade de doce de abóbora caseiro com doce e sorvete de coco, uma verdadeira poesia para o paladar. 



O Thai Brasil é outra casa para incluir no roteiro. Com pegada tailandesa, o restaurante carrega o colorido dos ingredientes do país que inspira a casa. Opções de curry e sopas apimentadas são minhas sugestões para curtir um jantar exótico. Mas se o seu negócio for mesmo exclusividade, procure por Yara Roberts, uma chef viajante que, junto ao marido fotógrafo, abre a própria casa para cozinhar para pequenos grupos de turistas. É o projeto Academia de Cozinha e Outros Prazeres, em que ela propõe menu degustação harmonizado, com receitas brasileiras e ingredientes da região. De cortesia, o conviva ainda se deleita com as histórias de viagem do casal que corre o mundo. 

A Fazenda Bananal, fora do centrinho de Paraty, é um ótimo passeio tanto para crianças quanto para adultos. Lá, se conhece um pouco a história da Estrada Real, cujo casarão colonial é datado de 1846, e se tem contato com culturas agrícolas sustentáveis. Um descolado restaurante foi agregado à estrutura original, servindo cozinha autoral, explorando os ingredientes cultivados na própria horta. 

A produção de cachaça é tradicionalíssima naquelas paragens, portanto, os alambiques viram pontos de visitação curiosos. A Paratiana é uma das produtoras locais mais prestigiadas e sustenta premiações importantes. É possível visitar as instalações gratuitamente. Mas é impossível sair de lá sem arrematar alguns rótulos da branquinha e um dos doces e geleias caseiras vendidos na lojinha do local. 


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